Violência da torcida do Flamengo será apurada pelo MPRJ

Além da provável punição desportiva, já deixada em aberto pela Conmebol, as ações violentas de torcedores do Flamengo, após o empate e a perda do título da Copa Sul-Americana, na última quarta-feira, serão alvo de investigações da polícia e do Ministério Público do Estado. Antes do jogo, os torcedores de uma organizada chegaram a invadir o estádio pelos portões de acesso da Avenida Radial Oeste, em uma ação orquestrada que gerou uma cena nunca vista no Maracanã.

Outros episódios foram registrados por câmeras da rua e gente que tentava fugir dos tumultos. Um carro foi depredado e seu motorista agredido por torcedores. Policiais militares do Batalhão de Choque tentaram controlar o tumulto com o uso de gás lacrimogêneo e balas de borracha. Depois da confusão, alguns torcedores foram encaminhados para o Juizado Especial do Torcedor, dentro do próprio estádio do Maracanã.

Grupos de torcedores também depredaram seis trens dos ramais Santa Cruz, Japeri e Gramacho. Ao todo, 54 janelas e uma luminária foram arrancadas e um visor de TV foi quebrado. De acordo com a concessionária Supervia, que administra os trens urbanos, apenas uma dessas composições foi recuperada a tempo de ser utilizada na operação de hoje. As outras precisaram ir para a oficina para a realização de reparos mais complexos.

Houve ainda danos em quatro estações dos ramais Gramacho, Deodoro e Japeri. Em Corte 8, placas de acrílico, que isolavam a via férrea, foram quebradas. Em Quintino, uma porta de acesso foi danificada a chutes e, em Anchieta, quatro lixeiras foram arrancadas.

Antes mesmo do jogo, na madrugada de quarta (13), 48 torcedores do Flamengo já tinham sido detidos acusados de jogar fogos de artifício e rojões em direção a hotéis na Barra da Tijuca, na zona oeste da cidade, e em Copacabana, na zona sul, onde estavam hospedados membros da delegação do time argentino do Independiente.

APURAÇÃO

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) encaminhou ofícios para diversas instituições, pedindo a apuração de responsabilidade pelos atos violentos ocorridos antes e depois do jogo. O Grupo de Atuação Especializada do Desporto e Defesa do Torcedor (GAEDEST) do MPRJ quer informações ainda sobre os tumultos ocorridos, na quarta-feira (13), no entorno do Hotel Hilton, na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio, onde o time argentino estava concentrado. O órgão encaminhou DVDs com imagens que classifica de práticas criminosas.

As gravações das imagens de dentro e de fora do estádio foram encaminhadas à Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva de Defesa do Consumidor e Contribuinte, do MPRJ, à 18ª Delegacia de Polícia do bairro do Maracanã, à Confederação Brasileira de Futebol (CBF), ao Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) e à Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol). Já as gravações referentes ao Hotel Hilton foram para a 16ª DP, da Barra da Tijuca.

Nos documentos em que pede a instauração de inquéritos policiais, o MPRJ indica que “é necessária uma investigação profunda acerca dos fatos ocorridos para identificar e a punição dos criminosos que se travestem de torcedores para espalhar o caos, o medo e a desordem no seio social, de modo a restabelecer a paz pela qual nossa sociedade tanto anseia”.

Em nota, o Clube de Regatas do Flamengo expressou indignação com os fatos violentos e se solidarizou com todos os torcedores que “de alguma maneira foram afetados pela selvageria, violência e falta de cidadania daqueles que provocaram tumulto antes e depois da partida”. O time criticou o esquema de policiamento montado para a partida que teria a definição do campeão sul-americano.

 

Foto: Reprodução / Globo News