Uma ópera popular na Marquês de Sapucaí

Escolas de Samba do grupo especial do carnaval carioca desfilam no domingo e na segunda-feira, no Carnaval da crise e da polêmica

 

O desfile das Escolas de Samba esteve ameaçado neste ano. Alegando crise financeira, a Prefeitura da capital fluminense decidiu cortar pela metade a subvenção. Depois de socorro do Ministério da Cultura e da iniciativa privada, o Carnaval vai para a Marquês de Sapucaí em tom de crítica. A ordem dos desfiles é a seguinte:

DOMINGO – Dia 11 – Império Serrano; São Clemente; Unidos de Vila Isabel; Paraíso do Tuiuti; Acadêmicos do Grande Rio; Estação Primeira de Mangueira; Mocidade Independente

SEGUNDA-FEIRA – Dia 12 – Unidos da Tijuca; Portela; União da Ilha do Governador; Acadêmicos do Salgueiro; Imperatriz Leopoldinense; Beija-Flor de Nilópolis

Veja um pouco do que esperar dos desfiles deste ano:

IMPÉRIO SERRANO – De volta ao grupo de elite do Carnaval carioca depois de uma longa permanência no grupo de acesso, a Império Serrano chega cheia de gás, mas tem o problema de abrir a primeiro noite dos desfiles, o que normalmente rebaixa várias escolas. O enredo fala da rota da seda. “O império do samba na rota da China”, está sendo construído pelo carnavalesco Fábio Ricardo. A proposta é uma viagem pela cultura e as tradições da China, uma cultura milenar que se tornou o principal motor da economia mundial. Dois , Helenise Guimarães e Roberto Vilaronga, ajudaram no desenvolvimento do tema.

SÃO CLEMENTE – A São Clemente, do bairro de Botafogo, na zona sul do Rio, vai ser a segunda escola de samba a entrar na avenida no domingo (11) de carnaval, com o enredo Academicamente Popular, que saúda a história da Escola de Belas Artes (EBA) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). O tema escolhido pela São Clemente tem muita ligação com o carnavalesco Jorge Silveira, que estudou na EBA entre 1999 e 2003 e se formou em Educação Artística. Jorge substituiu a carnavalesca Rosa Magalhães, também formada pela Escola de Belas Artes e que neste ano está na Portela.

VILA ISABEL – A tradicionalíssima escola identificada com Noel Rosa e Martinho da Vila recebe o carnavalesco Paulo Barros, campeão do ano passado com a Portela. A missão é fazer um carnaval impactante, com direito a sonhar pelo título.  O enredo que fala sobre os grandes inventores e as mentes brilhantes que levaram a humanidade para a frente é “Corra que o futuro vem aí”. Barros aborada a vida de gênios, como Albert Einstein, Graham Bell, Thomas Edson e o brasileiro Santos Dumont. O carnavalesco que tem fama de fazer abordagens futuristas em seus enredos está em sua praia neste Carnaval.

PARAÍSO DO TUIUTI – “Meu Deus, meu Deus, está extinta a escravidão?” é o enredo da Paraíso do Tuiuti, composto por Jack Vasconcelos. O enredo vai falar sobre os 130 anos da assinatura da Lei Áurea, mas não espere uma visão “oficial” da história. O enredo é crítico e deixa claro que não houve preparação, nem compensação aos negros pelos anos de escravidão. Mais do que abordar o tema no Brasil, a Tuiuti vai mostrar o negócio em torno da captura e venda de escravos e também falar da escravidão no norte da África. O samba enredo é de Cláudio Russo, Moacyr Luz, Dona Zezé, Jurandir e Anibal.

GRANDE RIO – A segunda maior escola da baixada apostou em um enredo biográfico para 2018. O homenageado será o apresentador Chacrinha, uma das lendas da televisão brasileira, transformador e transgressor, com seu show de variedades e calouros. Para tocar esse projeto, dois carnavalescos super experientes: Renato Lage e Márcia Lage. Aberlardo Barbosa, o popular Chacrinha, completaria 100 anos em 2017. A proposta é levar para a avenida o clima do programa que marcou época na TV, além de contar com muito bom humor a trajetória desse personagem. O enredo será “Vai para o trono ou não vai?” quer conquistar a torcida na Marquês de Sapucaí.

MANGUEIRA – Com dinheiro ou seu dinheiro, eu brinco. Esse é o enredo que a Mangueira vai levar para a Marquês de Sapucaí este ano. Além de uma crítica ao corte de recursos repassados às escolas de samba pela prefeitura do Rio, a Verde e Rosa vai trazer de volta um carnaval popular do tempo em que o apoio financeiro não era condição principal para a alegria do folião – nem na rua, nem nos desfiles, desde o seu início, nos anos 30 na Praça Onze, e depois na Avenida Presidente Vargas (no Centro), até chegar à Marquês de Sapucaí, nos anos 80.

MOCIDADE – A fila foi grande. Depois de voltar a vencer o Carnaval, no ano passado, a Mocidade Independente de Padre Miguel encerra o desfile de domingo com o enredo “Namastê: a estrela que habita um mim saúda a que habita em você”. Depois de Marrocos, em 2017, a escola aposta em outro enredo sobre um país, a Índia. O carnavalesco Alexandre Louzada diz que a escola vai falar de tudo que une a Índia ao Brasil, como as especiarias, o gado Zebu, e muito mais. Mas vai abordar a riqueza cultural, religiosa e visual do país, que gerou o cinema de Bollywood.

UNIDOS DA TIJUCA – A vida agitada do ator, autor de teatro e de novelas, diretor e produtor cultural Miguel Falabella não foi empecilho para participar da montagem do carnaval de 2018 da Unidos da Tijuca, a primeira a desfilar na segunda-feira (12). O artista é o homenageado no enredo Um coração urbano: Miguel, o arcanjo das artes, saúda o povo e pede passagem. E como contar tantas atividades e fases da vida de uma pessoa de ritmo tão intenso? A missão coube à comissão de carnaval da escola, formada por Annik Salmon, Hélcio Paim e Marcus Paulo, que recebeu colaborações do próprio Falabella.

PORTELA – “Minha gente, se prepare / Que essa história vale a pena/ Tome assento, se acomode/ E vejam quem entra em cena / E quem sai, e onde se passa, / Onde termina, ou começa,/ De onde vem ou se destina”. É desse jeito que a carnavalesca Rosa Magalhães faz o convite para o público acompanhar o desfile da Portela este ano, com o enredo De Repente de Lá Pra Cá e Dirrepente de Cá Pra Lá . A escola será a segunda a entrar na Marquês de Sapucaí na segunda-feira (12) e vai levar para a passarela do samba a “vida incerta de imigrantes” judeus.

UNIÃO DA ILHA – A União da Ilha do Governador, da zona norte do Rio, entra no Sambódromo na segunda-feira de carnaval (12) com os sabores e pratos da culinária brasileira representados no enredo Brasil bom de boca. Se é para falar de comida, claro que não podiam faltar os chefes de cozinha, escolhidos após intensa procura. A premiada chefe Flávia Quaresma deu assessoria ao carnavalesco da Azul, Vermelho e Branco da Ilha, Severo Luzardo. Flávia disse que quando a notícia sobre o enredo da escola se espalhou, começaram a chegar os pedidos dos chefes para participar do desfile. E foi difícil arrumar lugar para todo mundo.

SALGUEIRO – A vontade de representar Xica da Silva no teatro vem de longe, mas os compromissos profissionais não tinham permitido até agora que o desejo da atriz Roberta Rodrigues fosse realizado. Finalmente isso vai poder ocorrer e para um púbico de cerca de 80 mil pessoas. A personagem de Roberta é uma das mulheres fortes, guerreiras, que marcaram e ainda estão presentes no cotidiano da vida brasileira. É em homenagem a essas mulheres que o Salgueiro, escola da Tijuca, na zona norte do Rio, levará para o Sambódromo, na segunda-feira (12), o enredo Senhoras do ventre do mundo.

IMPERATRIZ – A escola Imperatriz Leopoldinense, do bairro de Ramos, na zona da Leopoldina, no norte da capital fluminense, conta os 200 anos do Museu Nacional no seu desfile no grupo especial do carnaval carioca, na segunda-feira que vem (12). Para chegar até lá, a escola conta com o esforço de uma grande equipe. À frente do trabalho incessante da escola está Regina Cairo, de 72 anos e há 44 envolvida com a Imperatriz. De lá para cá, chegou a se afastar da escola por um período, mas há 30 anos é funcionária da agremiação, onde o trabalho não para durante o ano todo.

BEIJA-FLOR – Última a desfilar pelo grupo especial do carnaval do Rio, a Beija-Flor de Nilópolis pretende fechar com chave de ouro. O enredo tem um título comprido: Monstro é aquele que não sabe amar. Os filhos abandonados da pátria que os pariu. Dentro dele, a escola tem muito a contar para revelar quem é o verdadeiro monstro nessa estória. A sinopse explica o enredo dá uma dica: “o monstro é a criatura de aparência repugnante? Ou é o criador, com o seu egoísmo, seu orgulho, sua arrogância e seu coração corrompido?”. A ideia do enredo é do coreógrafo Marcelo Misailidis, a partir do romance de ficção e terror Frankenstein.

 

Foto: Cezar Loureiro / Riotur