Operação prende ex-prefeito de São Gonçalo por desvio de verba

O Ministério Público do Rio de Janeiro cumpriu ontem (10) 11 mandados de prisão contra políticos e empresários de São Gonçalo, no Grande Rio. Entre os presos está o ex-prefeito do município, Neilton Mulim. Foram, também, cumpridos 26 mandados de busca e apreensão. Os mandados foram concedidos pela 5ª Vara Criminal de São Gonçalo. Os acusados são suspeitos de irregularidades no processo de licitação para serviços de iluminação pública.

O acordo foi fechado com a empresa Compillar Entretenimento pelo valor de R$ 15,5 milhões, por 12 meses e prorrogado por mais duas vezes. Segundo o Ministério Público, a suposta gestão informatizada elevou o custo da prefeitura em 200%. Antes da contratação, o serviço custava R$ 5,8 milhões aos cofres públicos.

De acordo com o MP, a empresa não executou o projeto básico contratado, os fiscais não observaram os parâmetros de desempenho para a verificação dos serviços e, mesmo sem a execução dos serviços, os valores foram pagos integralmente.

Além disso, o projeto possuía quantitativos superestimados, já que previa a substituição de 107% das lâmpadas do parque de iluminação do município, sem levar em consideração a vida útil das mesmas. Os réus também responderão em um processo por improbidade administrativa, além do processo criminal.

Neilton Mulim foi preso em Maricá, em sua casa, no condomínio de luxo Bosque de Irapeba. A prisão aconteceu antes das 7 horas da manhã. Vale destacar que a casa foi comprada por R$ 1,5 milhão. No local, que foi vasculhado pela polícia durante quase três horas, os agentes encontraram uma mala de dinheiro – R$ 267 mil, escondidos em sacos velhos, ao lado de uma churrasqueira. O esquema teria desviado R$ 40 milhões da Prefeitura de São Gonçalo, desde 2012.

Liderando uma coligação de cinco partidos, Mulim ficou com a segunda vaga para o segundo turno nas eleições municipais de 2012, ao receber 116,7 mil votos (25,22%). Mais de 121 mil eleitores (18,27%) não compareceram para votar no primeiro turno e 81 mil (12,18% do eleitorado) votaram em branco ou nulo. No segundo turno, acabou superando Adolfo Konder. Seu mandato foi muito criticado, a ponto do prefeito ter sido derrotado na tentativa de reeleição, sem nem mesmo ir ao segundo turno (ficou em terceiro, atrás de Dejorge Patrício e de José Luiz Nanci, que acabou eleito).

 

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