‘O Lago dos Cisnes’ em temporada populara no Rio

Theatro Municipal do Rio de Janeiro apresenta o balé que é um verdadeiro marco na dança, com música de Tchaikovsky e coreografia de Yelena Pankova

 

Mais famoso e popular dos balés românticos, “O Lago dos cisnes’ será apresentado no Theatro Municipal do Rio de Janeiro pelo Ballet e Orquestra Sinfônica do Theatro Municipal, em temporada que estreia no dia 29 de outubro e vai até 8 de novembro. Com música de Piotr Tchaikovsky, a montagem é uma versão coreográfica de Yelena Pankova, criada especialmente para o Ballet do Theatro Municipal, em 2006, e que teve como base a criação original dos coreógrafos Marius Petipa e Lev Ivanov. O Ballet do TM tem direção artística de Ana Botafogo e de Cecília Kerche.

Na regência, o maestro titular da OSTM, Tobias Volkmann. A produção conta ainda com a participação de alunos da Escola Estadual de Dança Maria Olenewa. A essa montagem consagrada de “O Lago dos cisnes”, acrescentamos um novo desenho de luz, criado pelo premiado Fabio Retti.

Divisor de águas na história do balé clássico, ao trazer uma série de inovações ao gênero, “O Lago dos cisnes” fez sua estreia em 1877, com coreografia de Julius Reisinger, para o Teatro Bolshoi de Moscou. Apesar da beleza da música de Tchaikovsky, a temporada foi um fracasso, acentuado pelo fraco desempenho da protagonista, Pelageya Karpakova. Somente em 1895, dois anos após o falecimento do compositor russo, o balé ganharia uma nova versão consagradora.

Em 1894, quando outros balés com música de Tchaikovsky já eram sucesso, como “A Bela Adormecida”, de 1890, e ‘O Quebra-Nozes’, de 1892 , o príncipe Ivan Alexandrovich, diretor do Teatro Mariinsky de São Petersburgo, decide prestar-lhe uma homenagem com uma nova versão de “O Lago dos cisnes”, apresentando apenas segundo ato com coreografia de Lev Ivanov. Um ano depois, o balé ganha uma nova versão completa, mantendo o segundo ato coreografado por Ivanov, que é responsável também pelo bailado do quarto ato. Essa versão, que tornou a obra célebre, conta também com coreografia de Marius Petipa para o primeiro e terceiro atos.

André Heller-Lopes, diretor Artístico do Theatro Municipal, destaca: “Nessa temporada, as mulheres estão no centro da nossa programação: suas paixões e suas dores, seus sonhos e sua tragédias. Depois do sucesso de “Carmina Burana”, nada melhor do que a história de dois cisnes, dois lados de uma mesma mulher para o primeiro grande balé clássico de 2017”.

Nas palavras de Ana Botafogo, “O Lago dos cisnes – das multidões. Há mais de cem anos encantando gerações! É o balé mais popular de todos os tempos”

Para Cecilia Kerche, esse é um balé fundamental : “O Lago dos cisnes é um balé emblemático para minha carreira. A primeira vez que dancei a versão completa aqui no Theatro Municipal foi em 1988, remontado por Eugenia Feodorava. Foi uma experiência extraordinária poder fazer parte desse balé, remontado pela primeira vez aqui no Brasil ainda na década de 50”.

FUNDAMENTAL

Não foi a toa que o balé “O Lago dos cisnes” tornou-se tão emblemático para a dança clássica.  Ele foi responsável por uma série de inovações que foram efetivamente responsáveis pela consolidação do gênero como hoje o conhecemos. Entre essas inovações, pode-se destacar o fato de que esse balé imprimiu maior lirismo e virtuosismo ao papel feminino, que exige da intérprete um exímio domínio da técnica aliado a uma alta capacidade interpretativa, apoiada principalmente no fato de que a mesma bailarina deve representar o Cisne Branco e o Negro.

Trata-se de dois papeis com características quase opostas, o que impõe à solista interpretações ao mesmo tempo tão divergentes quanto contrastantes – lirismo e suavidade, quando representa Odette,  magnetismo e fascinação provocativa, ao personificar Odile. Além disso, por ser um balé de grande habilidade técnica, houve necessidade de reformular os figurinos utilizados até então, onde imperavam as saias compridas, sendo criados pela primeira vez os tutus curtos (chamados tutus bandeja), que possibilitam maior leveza e flexibilidade.

Também foi em “O Lago dos cisnes” que pela primeira vez na dança clássica foram executados os 32 fouettés seguidos, movimento que requer extrema maestria da intérprete e que, a partir daí, passa a integrar a coreografia da obra, como requisito obrigatório às aspirantes ao papel.  A primeira bailarina a conquistar esse desafio foi a italiana Pierina Legnani. Em nossa temporada, o desafio caberá à primeira bailarina Claudia Mota e à solista Mel Oliveira.

Entretanto, esse não é um balé desafiador apenas para seus solistas. O corpo de baile em O Lago dos cisnes tem também um papel fundamental. Uma das marcas da genialidade de Ivanov está justamente no fato de ele utilizar o conjunto não apenas como elemento decorativo, mas como parte fundamental de seu balé, com grande importância dramática. Vemos o corpo de baile refletir a tristeza de Odette, dando profundidade a seus sentimentos.

TCHAIKOVSKY

Pyotr Ilyich Tchaikovsky nasceu na província de Votkinsk, na Rússia, em 7 de maio de 1840. Aprendeu a tocar piano aos cinco anos de idade. Aos sete escrevia poemas em língua francesa. A personalidade frágil fez com que sua governanta o considerasse “uma criança de vidro”. Aos 14 anos perdeu a mãe, sendo afetado por forte depressão e crise nervosa. Estudou Direito e tornou-se funcionário público. Seu gosto pela música, todavia, era maior.

Com pouco mais de vinte anos abandonou seu posto no Ministério da Justiça e ingressou no Conservatório de São Petersburgo, onde estudou com o pianista e compositor Anton Rubinstein (1829-94). Em 1866, mudou-se para Moscou e tornou-se professor do conservatório da cidade, consolidando sua reputação, compondo obras orquestrais como os poemas sinfônicos Romeu e Julieta (1869) e Hamlet (1889), a Marcha Eslava (1876), o Capricho Italiano (1880), seis sinfonias, três concertos para piano, um para violino, canções, música coral e de câmara e, dentre outras, as óperas Eugene Onegin (1878), Rainha de Espadas (1890) e Iolanta (1891).

São de sua autoria três dos mais importantes balés de todos os tempos: O Lago dos cisnes (1877), A Bela Adormecida (1890) e O Quebra-Nozes (1892). Apesar do sucesso crescente, o temperamento amargurado e a homossexualidade o mantinham sempre em constante tensão.

A COREÓGRAFA

Yelena é russa de nascimento e formada pela Escola Vaganova de Balé em São Petersburgo.  Ainda jovem, foi uma das mais promissoras bailarinas do Kirov, dançando, como convidada, de New York a Sidney e nas maiores capitais da Europa. Teve uma longa e aclamada carreira nos palcos. Como coreógrafa, foi responsável pela criação de inúmeros balés, entre os quais se destacam O Corsário, em Kazan – Rússia, Les Sylphides, em Brasília (2005) e Munique (2006), O Lago dos cisnes, para o Ballet do Theatro Municipal do Rio de Janeiro (2006),Papillion, em Praga (2010), Raymonda, em Plze, na República Checa (2011), e A Bela Adormecida, em Split, na Croácia (2012). Como bailarina, constam de seu repertório DVDs de O Corsário, La Vivandière, Les Sylphides e Paquita, com o Kirov Ballet, e Black Cake, com o Bayerisches Staatsballett.

SERVIÇO

O Theatro Municipal do Rio de Janeiro fica na Praça Floriano s/n° – Centro. Dias 29 de outubro e 5 de novembro às 17h; 31 de outubro e 1, 3 e 8 de novembro às 20h. Classificação etária: Livre. Plateia/ Balcão Nobre – R$ 80. Balcão Superior –  R$ 60. Galeria- R$ 30.

 

Fotos: Vânia Larangeira / Divulgação