Nini Alcântara, música, móveis & poesia

O músico e escritor itaboraiense Nini Alcântara recebe convidados no evento Móveis & Poesia, que acontece neste mês na Casa de Cultura Heloisa Alberto Torres

 

Uma experiência cultural inovadora e interessante vai acontecer na Casa de Cultura Heloisa Alberto Torres, em Itaboraí, do dia 2 a 14 de agosto. O evento Móveis & Poesia reúne o talento das letras e da música itaboraiense, Nini Alcântara, à designer de interiores Fabiana Santana e à designer e restauradora de móveis Lu Rabelo, da Decorar Sim. Móveis contam histórias de pessoas e ambientes – e é nesse contexto que as poesias de Nini surgem para expressar esses sentimentos. Melhor ainda: Nini vai levar ao evento alguns convidados. A abertura acontece no dia 2, às 18 horas.

Joanir Ferreira de Alcântara, o popular Nini, é um dos músicos mais conhecidos da cidade. Baixista que atua em diversos projetos e acompanhando vários artistas, ele iniciou na carreira musical ainda na adolescência. Além do baixo, Nini toca violão e teclado, iniciando como autodidata e, depois, buscando o aperfeiçoamento em diversos workshops. Desde a sua primeira banda, The Golden Friends, o músico se transformou em figura fundamental da música na cidade.

Mas o artista tem outro lado. O amor pelas letras acabou surgindo, ao lado de seu lado compositor. Foi sua experiência como compositor e músico em festivais que o inspirou a escrever seu primeiro livro, o “Saindo da Gaveta”, que une contos e poesias de sua autoria.

“Como eu escrevia muitas músicas, deixava várias letras guardadas até que um amigo deu a ideia de transformar em livro, e foi o que fiz”, lembrou Nini, em entrevista concedida em 2013 à jornalista Beatriz Ventura. Nini também é autor do livro “Eu”, também de contos e poesias, e fez parte de projeto organizado pelo Acadêmico Arnaldo Niskier, chamado “Crônica para a cidade amada”. Nesse projeto,  Nini fala sobre Itaboraí na crônica chamada “Itaboraí, minha terra, meu chão”.

A arte teatral também faz parte da vida de Nini, já tendo tido contato com ela duas vezes. A primeira aconteceu quando participou da peça “Raul Fora da Lei”, onde era contada a história do cantor Raul Seixas interpretado pelo ator Roberto Bomtempo. E também quando escreveu a peça “Sofá”, inspirada em um de seus poemas – monólogo em que um homem sentado em um sofá narra suas experiências com o móvel desde menino até os dias de hoje. E aí se vê a relação entre o texto poético de Nini e o mobiliário, que são parte fundamental do evento que acontece neste mês.

HORA CERTA

Na semana passada, Nini usou suas redes sociais para falar sobre a oportunidade de participar desse evento especial. “Como é costume de dizer “tudo tem seu tempo” eu estava dentro desse contexto de tempo, como todos estamos. Não sei se chegou minha hora, mas tudo caminha pra isso, surpresas boas estou tendo”, disse Nini, que falou sobre sua carreira como escritor.

“Tudo começou quando eu rabiscava no papel palavras simples que foram tomando forma, sentido, pensamentos meus. Um certo dia, uma amiga que gostava de ler meus textos sugeriu para que eu fizesse um livro, eu achei que não era capaz, que o que escrevia não servia pra tal, muitos dos textos que fazia era pro lado da música na época dos festivais (sou músico) estudantis e etc, mas a ideia de fazer o livro ficou martelando na minha cabeça”, relembrou Nini, contando a gênese de seu primeiro livro, “Saindo da Gaveta”.

“Depois veio o segundo livro “Eu” com ilustração na capa de um quadro que tentei pintar, misturei varias cores numa bagunça só, dei o nome de “Aberração Psicodélica”. Dei para uma amiga (Fernanda Furriel), depois pedi emprestado pra fazer a capa do livro (até hoje não devolvi), hoje escrevo compulsivamente todos os dias poesias, histórias para todas as idades e etc”, contou Nini – que brinda seus amigos no Facebook com poemas nas horas mais apropriadas, oferecendo a todos aquela pausa para refletir mais, sentir mais, olhar o mundo de um jeito diferente.

Ele conta que, na abertura, no dia 2, vai ter um pouco de música, recitais de seus textos por pessoas convidadas. Nini fez questão de ressaltar em seu texto de agradecimento que “Itaboraí tem no anonimato muita gente de talento em todas as artes capazes de representar o município em qualquer lugar”. Ele pede que o público da cidade prestigie, seja cúmplice e sinta orgulho de gente de nossa terra. “Não esperem que elas se aventurem por terras estranhas em busca de reconhecimento”, finaliza.

O MÚSICO

Nini já participou de diversos eventos na cidade e tocou com diferentes músicos em projetos, como o trabalho em projeto com o guitarrista Fabinho do Blues, que surgiu na edição do encontro de motociclistas da cidade, em 2000.

“Estavam precisando de uma banda de blues no encontro, então tive a ideia de criar e chamei o Fabinho pra fazer parte comigo. Fechei com o organizador do evento e antes mesmo de ter um baterista assumimos o compromisso” Contou Nini.

Vale destacar que Nini Alcântara também fez parte de um projeto criado pela Prefeitura, ainda na década de 1990, o ‘Música Pop Itaboraí’, um disco gravado com uma faixa para cada músico  da cidade que foi chamado. O produtor daquele disco, Sérgio Espírito Santo, é hoje gestor da Casa de Cultura. Nini lembra que “foi algo bem legal. A intenção era ter outros volumes, mas nunca retomaram o projeto”. Quem sabe agora.

AS DECORADORAS

A Decorar Sim atende nos municípios da região: Niterói, São Gonçalo, Itaboraí, Rio Bonito , Tanguá, Magé e Maricá. No evento Móveis & Poesia, a Decorar Sim vai estar também promovendo o lançamento de novas peças.

Segundo Lu Rabelo e Fabiana Santana, a ideia de reuso está cada vez mais presente na cabeça das pessoas, não só pelo aspecto financeiro, mas por consciência. Reciclar, reutilizar e valorizar peças que muitas vezes fazem parte da história daquele ambiente. Móveis que expressam sentimentos e arte. Com esse espírito, a exposição une duas linguagens distintas – a poesia e a decoração de interiores.

SERVIÇO

A Casa de Cultura fica na Praça Marechal Floriano Peixoto, no Centro de Itaboraí.

 

Fotos: Arquivo / Matheus Pinto