Manifestação no Comperj acaba em confronto com a polícia

O protesto realizado nesta quarta-feira (12) pelos trabalhadores do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj) terminou em confronto com a tropa formada por 30 policiais do 35º e do 12º Batalhões da Polícia Militar, de Itaboraí e Niterói, respectivamente. Iniciada por volta das 6h, a manifestação teve a participação de mais de dez mil funcionários, que interromperam o trânsito na RJ-116, via que liga Itaboraí a Nova Friburgo.

De acordo com operários, a Polícia Militar agiu com truculência ao impedir a entrada dos grevistas no terreno da construção, o que deu início ao conflito. A PM teria jogado bombas de gás lacrimogêneo e disparado balas de borracha contra os grevistas, na estrada que liga o Comperj à RJ-116.

Segundo o comandante do Batalhão de Itaboraí, coronel Fernando Salema, algumas pessoas atiraram pedras contra a polícia, o que os levou a reagir com bombas de efeito moral. Durante a confusão, pneus foram queimados no acostamento da via, placas de trânsito foram quebradas e pedras espalhadas na pista, que chegou a ser interditada nos dois sentidos.

Há cerca de 40 dias, os trabalhadores do Comperj iniciaram uma greve que reivindica um ajuste salarial de 11,5% e aumento no valor de benefícios, como o vale-alimentação, que passaria a ser de R$400. Mas as construtoras oferecem aumento de 7%, sem incluir os benefícios.

O Ministério Público do Trabalho tentou um acordo com as partes para um aumento de 9%, mas ele não foi aceito. Durante o mês de fevereiro, o órgão considerou a paralisação ilegal e multa o Sindicato dos Trabalhadores da Construção, Montagem e Manutenção de São Gonçalo, Itaboraí e Região (Sinticom) em R$10 mil por dia de manutenção da greve.

Durante o protesto desta quarta-feira, a Concessionária Rota 116 S/A, que administra a rodovia, aconselhou os motoristas a aguardarem o término do protesto em local seguro para prosseguirem viagem, quando a manifestação acabasse.

Foto: André Messias / Arquivo