Líderes do elenco alvinegro lamentam protesto violento

Um dia que nenhum botafoguense gostaria que existisse, mas que precisa ser encarado de frente. O Botafogo foi eliminado de forma precoce da Copa do Brasil para a Aparecidense, um golpe duro no torcedor e no elenco alvinegro. Em entrevista coletiva, Jefferson e Igor Rabello expuseram questões importantes da derrota em campo e do comportamento violento de algumas pessoas que receberam a delegação alvinegra com pedradas no retorno da equipe ao Rio de Janeiro.

Entristecidos, os jogadores repudiaram o ato de violência e reafirmaram o compromisso para recolocar o Botafogo no rumo certo. O pacto começa no clássico contra o Flamengo, sábado, pela semifinal da Taça Guanabara. Um jogo, segundo eles, para doar sangue.

Jefferson abriu a coletiva comentando sobre uma filmagem ainda no campo de jogo após a partida em que estaria rindo e “fazendo pouco caso” da eliminação da equipe. O ídolo explicou o ocorrido e relatou sua tristeza diante de uma repercussão completamente equivocada.

“Sei que vocês tem muitas perguntas para fazer para gente, mas gostaria de abrir falando sobre o episódio que me envolveu no jogo. Após a partida me filmaram sorrindo e muitos disseram que não me importei com a desclassificação do Botafogo. Juntamente com o grupo e com minha família estou bem tranquilo. Sei do meu caráter e de tudo que já fiz pelo Botafogo. O que mais me doeu foi ver a minha torcida, que amo de paixão e por quem já fiz de tudo, duvidar do meu caráter. É como se sua esposa e filhos duvidassem do seu caráter. Sei que os verdadeiros botafoguenses não duvidam do meu caráter. Se fossem de outros clubes eu não me importaria. Praticamente não dormi após a nossa queda da Copa do Brasil. Lamentamos muito, isso vai doer por bastante tempo, mas temos que levantar a cabeça, temos muitos jogos pela frente”, disse Jefferson.

Jovem de grande responsabilidade e identificação com o clube, Rabello também falou e citou o cenário que jogadores e comissão técnica encontraram na chegada ao Rio de Janeiro. O zagueiro não condenou o protesto dos botafoguenses que foram cobrar a equipe, mas sim o ato violento daqueles que apedrejaram o ônibus da delegação.

“Acho que a torcida do Botafogo tem total direito de fazer protesto, reclamar, levar cartazes e não gostar do resultado, assim com nós não gostamos. Mas não da forma que foi. Com violência não concordamos. Se uma pedra daquela nos acerta poderíamos estar no hospital. O torcedor pode vir aqui nos cobrar, vamos recebê-los no Estádio, mas não com violência. Todos aqui acordam cedo e se doam pelo clube”, falou Rabello.

Jefferson falou sobre a situação atual do elenco:

“- Precisamos melhorar muito, cara. Isso é visível, mas é como eu falei, tivemos praticamente dez dias de pré-temporada, com um treinador novo e muita informação que ele teve só um mês para passar. As pessoas de fora não nos dão esse tempo. O Felipe está se desdobrando, vídeo todo dia. A evolução acontece com o tempo, mas sabemos que futebol é resultado. Sabemos que precisamos melhorar, o Felipe nos cobra em relação a isso, mas para fazer o que ele quer precisamos de tempo”, comentou.

 

Foto: Vitor Silva / SS Press / Botafogo