Justiça anula votos da urna 7 no Vasco

Os votos da polêmica urna 7 da eleição do Vasco, que reuniu votos de sócios do clube que estavam sob suspeita de irregularidades, foram anulados ontem, por decisão da desembargadora Márcia Alvarenga, da 12ª Câmara Cível, do Rio. Com a decisão, o candidato da oposição, Julio Brant, passa a ser o vencedor da eleição vascaína, à frente do atual presidente Eurico Miranda.

Ainda cabe recurso, mas uma nova decisão deve ocorrer na volta do recesso do judiciário, no início do ano que vem. Para que a sentença seja alterada, é necessária uma decisão do colegiado de desembargadores da 12ª Câmara Cível.

Para a desembargadora Marcia Alvarenga, há sérios inícios de que “a maioria dos votantes não estaria apta a votar, por não estar em dia com o pagamento de suas mensalidades”. A própria desembargadora já havia concedido um efeito suspensivo ao Vasco, mantendo o resultado da eleição, mas, após perícia na urna 7, decidiu anular os votos.

Já a atual administração do Vasco tem adotado a política de defender que houve lisura na eleição no clube, e tem postado vídeos com depoimentos de sócios que defendem o legítimo direito ao voto na urna 7. Segundo o site oficial do Vasco, cerca de 200 imagens já foram encaminhados ao clube por pessoas que se mostram indignadas com a possibilidade de terem seus votos anulados em processo sob análise da Justiça.

“As postagens estão sendo feitas gradualmente na página oficial do clube e nas redes sociais”, diz o clube, em nota oficial.

 

SEM COMPROVANTES

A desembargadora afirma que o Vasco não apresentou os documentos que comprovasse a regularidade dos sócios que votaram na urna 7.

“De fato, apesar da atual administração ser a maior interessada na produção da prova referente à regularidade social dos 475 sócios votantes na urna 7, sequer apresentou qualquer comprovante de pagamento individual dos sócios gerais, para aquisição dos títulos patrimoniais, a fim de demonstrar que os mesmos estavam regularmente inscritos no quadro social do Clube, o que não seria difícil obter junto à empresa gerenciadora de seu banco de dados e cobrança. Muito pelo contrário, limitou-se a apresentar, tão somente, balancetes globais e algumas fichas de inscrição”, afirmou Marcia Alvarenga, em sua decisão.

Agora, até um novo capítulo na novela, Julio Brant volta a poder indicar 120 conselheiros para formar o Conselho Deliberativo, que irá decidir em janeiro o novo presidente do Vasco, enquanto Eurico vai indicar 30, que se somarão a 150 conselheiros natos para a escolha do novo presidente do clube. Brant teve o apoio de ex-atletas, como Edmundo, Pedrinho e Felipe, e de vascaínos ilustres, além de ter aglutinado a outra candidatura de oposição, de Fernando Horta, durante o dia da eleição.

 

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