Galileu de Brecht

No ano em que Brecht completa 60 anos de morte, “Galileu Galilei” estreia no Teatro João Caetano do Rio com uma mulher no papel título

“Galileu carrega em si todas as contradições. É herói e anti-herói. E lança uma pergunta: Até que ponto posso ser fiel ao que penso sem sucumbir ao poder vigente?”, detalha Denise Fraga, que estreia nesta sexta, 1° de julho, em uma curtíssima temporada popular no Teatro João Caetano do Rio, ligado à Secretaria de Estado de Cultura, o espetáculo “GALILEU GALILEI”. Com direção de Cibele Forjaz, o clássico do dramaturgo alemão, assistido por mais de 90 mil pessoas, chega ao Rio após grande sucesso em São Paulo.

O texto conta a história de uma das maiores injustiças cometidas pela Igreja Católica, num trágico embate entre razão e religião. “Galileu achava que podia se aliar ao poder para viver bem e ainda assim conservar sua liberdade”, fala a diretora. Dez atores em cena tocam diversos instrumentos e cantam músicas originais de Lincon Antônio e Théo Werneck. O espetáculo fica em cartaz, de sexta a domingo, até 17 de julho.

Diferente da montagem histórica de Zé Celso, realizada em 1968 no Teatro Oficina, a dramaturgia foi confeccionada a quatro mãos por Christine Röhrig, Cibele Forjaz, Denise Fraga e Maristela Chelala. “A clareza de raciocínio, o humor, o fio inebriante por onde Brecht escolhe contar suas histórias nos leva passo a passo a um profundo estado de reflexão”, afirma Denise. Na Itália do século XVII, Galileu é obrigado a mentir sobre sua descoberta de que o Sol é o centro do universo, e não a Terra. Somente em 1992, mais de três séculos após sua morte, o astrônomo é absolvido. E Denise completa: “Será que precisaremos negar nossas maiores verdades, como Galileu, para não ir para a fogueira? Acho que fazemos isso todos os dias. Essa é a questão.”

A direção de Cibele Forjaz, que traz à tona polêmicas relacionadas ao atual cenário político (um grande panelaço é utilizado em cena como forma de protesto); o espaço cenográfico de inúmeras analogias ao movimento circular sugerido pelo texto e criado por Márcio Medina; a mistura de atores parceiros de longa data de Denise e de Cibele – Ary França, Lúcia Romano, Maristela Chelala, Vanderlei Bernardino, Jackie Obrigon, Luís Mármora, Silvio Restiffe, Daniel Warren e Théo Werneck.

Denise Fraga, protagonista de outra grande obra de Brecht, “A alma boa de Setsuan” (2008-2010), agora interpreta o cientista italiano, como nunca feito antes, e se reveza sendo narradora e personagem. A atriz, que tem 32 anos de carreira, é também idealizadora do projeto, e faz questão de receber o público na porta do teatro ao lado de todo o elenco. “O que eu espero é divertir as pessoas com um espetáculo festivo e fazê-las sair do teatro pensando em qual será a nossa alternativa para escapar desta areia movediça, reiterar a fé na ideia de que o conhecimento e a razão ainda são os melhores instrumentos de luta contra a repressão, a injustiça, a miséria,  e o único caminho possível para o avanço social”, conclui Denise.

SERVIÇO

O Teatro João Caetano fica na Praça Tiradentes, s/n – Centro do Rio. Tel.: (21) 2332-9166. Ingressos: R$ 30. Sexta e sábado, às 19h30, e domingo, às 17h30.

 

Foto: João Caldas Filho / Divulgação