Cunha diz que Jaques Wagner tentou acordo para barrar impeachment

O presidente afastado da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, concedeu entrevista coletiva nesta terça-feira (21), no Hotel Nacional, em Brasília. Cunha disse que o PT tentou fazer acordo com ele para livrá-lo do processo no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar em troca da rejeição do pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff. De acordo com Cunha, o então ministro da Casa Civil, Jaques Wagner, chegou a oferecer a ele o controle dos votos do PT no Conselho de Ética.

Segundo Eduardo Cunha, Jaques Wagner teria garantido que a esposa de Cunha não seria alvo de denúncias, o que foi interpretado por ele como uma chantagem. Mesmo assim, o deputa reafirmou que não agiu por vingança no caso da abertura do processo de impeachment contra a presidente da República. Ele destacou que rejeitou 40 pedidos com esse teor antes de acatar o que foi aberto em 2 de dezembro do ano passado.

Cunha disse que está absolutamente convicto de não ter mentido à CPI da Petrobras ao dizer que não tinha conta no exterior. Ele ressaltou que foi à CPI para prestar esclarecimentos de forma espontânea, ao contrário de outros políticos. O político disse que resolveu voltar a dar entrevistas para não ter mais a sua defesa prejudicada e cerceada.

Durante a entrevista, ele fez um histórico da sua trajetória política e se defendeu das acusações contra ele. Cunha lembrou que a bancada do PMDB ficou dividida quanto ao apoio ao governo da presidente Dilma Rousseff. Segundo ele, o seu partido se sentia excluído de decisões do governo do PT.

“Livrar o Brasil da Dilma e do PT será uma marca que terei a honra de carregar”, afirmou.

AFASTAMENTO

Eduardo Cunha foi afastado do cargo de deputado e de presidente da Câmara por decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal Teori Zavascki, desde o dia 5 de maio. O ministro atendeu a pedido feito ao STF em 16 de dezembro do ano passado pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot.

 

Legenda: Cunha quer ficar marcado por “livrar o Brasil de Dilma e do PT”

Foto: José Cruz/Agência Brasil