Centrais sindicais protestam contra Reforma da Previdência

Trabalhadores de diferentes categorias promoveram atos ontem (5) contra a reforma da Previdência em diversas cidades. De acordo com a Central Única dos Trabalhadores (CUT), uma das centrais que convocou o movimento, as mobilizações ocorrem em 25 estados. Em São Paulo, o protesto aconteceu na Avenida Paulista, em frente ao vão do Masp. Para os sindicalistas, apesar de mudanças na proposta original, a reforma ainda representa perda de direitos. O governo defende que a reforma é necessária para reduzir o déficit e garantir o pagamento de aposentadorias e outros benefícios no futuro.

Convocada por centrais sindicais, a mobilização inicial era para uma greve geral nesta terça-feira, um dia antes de a Câmara dos Deputados votar a reforma. No entanto, o presidente da Casa, Rodrigo Maia, adiou a votação por causa da falta de votos suficientes para a aprovação – são necessários 308 votos. Com o adiamento, as centrais sindicais decidiram também suspender a greve geral.

Um das categorias que aderiu ao movimento foi a dos analistas-tributários da Receita Federal. Pela manhã, eles fizeram atos em aeroportos com o objetivo de convencer deputados que estão viajando para Brasília e também os que estão chegando na cidade a votarem contra a reforma.

De acordo com o Sindireceita, levantamento feito em março deste ano aponta que a Receita tem cerca de R$ 1,67 trilhão de créditos a receber, incluindo os débitos parcelados e com exigibilidade suspensa por litígios administrativos ou judiciais. Deste total, 79,64% (R$ 1,33 trilhão) estão suspensos em processo administrativo ou judicial.

 

DEFESA

De acordo com o Resultado do Regime Geral de Previdência, divulgado pela Secretaria de Previdência, no acumulado do ano, o déficit previdenciário chega a R$ 156 bilhões – 21,8% maior que no mesmo período do ano passado. A arrecadação soma R$ 296,5 bilhões e a despesa, R$ 452,4 bilhões.

O presidente Michel Temer e o ministro da Fazenda Henrique Meirelles defenderam ontem a necessidade da aprovação da reforma da Previdência durante o Prêmio Brasileiros do Ano 2017, da Revista Istoé. Meirelles recebeu das mãos do presidente o prêmio na categoria Economia. O maior prêmio da noite, de Brasileiro do Ano, foi entregue ao juiz federal Sérgio Moro.

“A reforma da Previdência, na verdade, visa precisamente a combater os privilégios. Porque, na verdade, o que a reforma da Previdência faz é proteger os pobres que, na verdade, pagam pelos que ganham muito no serviço público. A ideia da igualdade é a força motriz da reforma da Previdência”, defendeu o presidente.

 

Foto: CUT / Divulgação