‘Assassinato no Expresso Oriente’

Certamente Agatha Christie, a maior autora de histórias de mistério de todos os tempos não teria o que reclamar do novo “Assassinato no Expresso Oriente”

 

Conta a lenda que Agatha Christie, reconhecidamente a maior autora de histórias de mistério de todos os tempos, detestou todas as adaptações cinematográficas de seus livros. Tanto que parou de autorizá-las. Em 1974, por exemplo, foi lançada a primeira versão de “Assassinato no Expresso Oriente” e, pasme, nem mesmo seu nome aparece nos créditos. Mais uma vez, conta a lenda que a própria autora quis assim, por não concordar com o que fizeram em seu nome.

Agora, finalmente um dos livros mais famosos de Agatha Christie parece ter ganhado uma versão definitiva nos cinema. Com Kenneth Branagh na pele do detetive Hercule Poirot e um elenco estelar, que inclui Johnny Depp, Derek Jacobi, Michelle Pfeiffer, Penelope Cruz e Willien Dafoe, o filme remonta a viagem em que um crime acontece.

A engenhosa solução de Agatha Christie, que mudou um dos paradigmas da literatura de mistério e suspense, ganha uma produção caprichada, direção segura e ótimas críticas na imprensa. Se será sucesso de bilheteria, já é outra questão – até porque, com Johnny Depp no elenco, os números recentes não são muito alvissareiros. É aguardar para ver.

Na trama, o detetive Hercule Poirot embarca de última hora no trem Expresso do Oriente, graças à amizade que possui com Bouc (Tom Bateman), que coordena a viagem. Já a bordo, ele conhece os demais passageiros e resiste à insistente aproximação de Edward Ratchett (Johnny Depp), que deseja contratá-lo para ser seu segurança particular.

Na noite seguinte, Ratchett é morto em seu vagão. Com a viagem momentaneamente interrompida devido a uma nevasca que fez com que o trem descarrilhasse, Bouc convence Poirot para que use suas habilidades dedutivas de forma a desvendar o crime cometido.

Há alguns trunfos em “Assassinado no Expresso Oriente”. O primeiro é o próprio Kenneth Branagh, que também dirige o filme, e que demonstra respeito total à obra de Agatha Christie, como já fez com as peças de Shakespeare (Hamlet, Muito Barulho por Nada e Henrique V) e com Mary Shelley, em sua versão do clássico Frankenstein. O segundo, é a direção de arte, que revive o clima da obra de Agatha Christie com capricho, nos detalhes do cenário e figurino. O terceiro, é o elenco, que segura a ação com eficiência.

De volta aos bons trabalhos como diretor, com “Thor” e “Cinderela”, Branagh mostra que ainda é o mesmo diretor que surpreendeu o mundo do cinema com seu Henrique V, em 1989, mas com o acréscimo inestimável da experiência.